Analista judiciário federal brasileira especializada em direito do trabalho. Pensadora profunda sobre questões sociais, políticas, científicas e filosóficas. Uma defensora incansável da luta contra a injustiça social. Entusiasta da língua e literatura portuguesa. [English]
Sou uma mulher brasileira, nascida na pequena cidade rural de Brasília de Minas, no noroeste do estado de Minas Gerais. Meu nome, "Dayse", é uma forma abreviada da expressão em inglês antigo "Day's Eye" (ou "Eye of the Day" — "Olho do Dia"), que se refere a uma pequena flor de centro amarelo cercado por pétalas brancas — pois ela se assemelha a um pequeno sol, que é o "olho do dia". Meu sobrenome, "Silva", é o mais comum no Brasil e indica que meus antepassados eram pessoas da floresta ou da mata. O complemento "do Nasci-mento" remete ao nascimento de Cristo. Acredito que seja mera coincidência eu ter nascido na noite de 24 de dezembro, visto que esse elemento do nome já existia antes mesmo de eu nascer.
Tenho ascendência mista portuguesa e indígena e, como minha mãe costumava dizer: "um homem negro entrou na história em algum momento". Conta a lenda que, por volta de meados do século XVIII [mais ou menos em 1750], um fazendeiro e colono português — na região que hoje é o norte de Minas Gerais, mas que na época fazia parte da Bahia — estava percorrendo suas terras a cavalo quando avistou uma jovem indígena que, ao vê-lo, tentou fugir imediatamente. Ele então a perseguiu a cavalo e a laçou. Levou-a para sua fazenda para trabalhar como escrava na cozinha. Algumas semanas depois, um amigo [também fazendeiro] foi visitá-lo. Ao ver a escrava, perguntou ao amigo [o captor dela] por quanto a venderia. Eles combinaram um preço, e o amigo [que viria a ser meu antepassado da época colonial] comprou-a, levou-a para sua fazenda, apaixonou-se por ela [ou terá sido apenas desejo?] e casou-se com ela.
Embora o sobrenome pareça ter origem na nobreza rural portuguesa, durante a minha infância e os meus anos de formação, a minha família era muito pobre. Meu pai tinha cada vez mais dificuldade em ganhar a vida dignamente em Brasília de Minas. Por isso, quando eu tinha 9 anos, mudamo-nos para a capital do estado, Belo Horizonte. Tive o meu primeiro emprego aos 10 anos: cuidava dos dois filhos pequenos de um imigrante alemão que tinha uma loja de rádios. A situação do meu pai não melhorou muito em Belo Horizonte, mas, de uma forma ou de outra, conseguimos sobreviver. Ele era muito carinhoso comigo e incentivava-me bastante a estudar com dedicação na escola — e foi o que fiz. Meus irmãos começaram a trabalhar muito cedo e ajudaram a sustentar a família, enquanto eu me dedicava inteiramente aos estudos.
Obtive meu diploma de Bacharel em Artes em 1977 pela Faculdade de Letras da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Meus estudos nessa instituição ampliaram e aprofundaram meu conhecimento de Literatura Brasileira e Estrangeira, bem como de Português Gramatical. Também adquiri um bom domínio da língua inglesa. Em 1985, obtive o diploma de Bacharel em Direito pela Faculdade de Direito da mesma universidade.
Além dos meus estudos formais, desenvolvi um grande interesse pelas Ciências Sociais e Políticas. Nesse contexto, realizei pesquisas acadêmicas sobre estrutura social, buscando inspiração em sociedades antigas, como a dos meus ancestrais Tupi-Guarani.
Também realizei um estudo aprofundado de Filosofia e, impulsionado pela minha curiosidade e fascínio pelas leis fundamentais que regem o nosso universo, explorei também o campo da Física Moderna.
Uma crescente consciência da importância das condições ambientais para o futuro do nosso planeta e um forte senso de convicção em fazer algo a respeito me levaram a me envolver pessoalmente na busca pela conservação ambiental.
Anseio pelo tempo em que a humanidade — seguindo os exemplos das sociedades antigas, para as quais a terra era tanto seu meio de subsistência quanto um ambiente sociocultural — se conscientize de que ela própria é parte essencial da natureza e não está fora ou além do processo natural da vida.
Acredito que seja responsabilidade da humanidade — como a espécie mais recente e avançada do planeta, singularmente dotada do poder do pensamento consciente — cuidar da Terra, suprindo suas necessidades vitais de maneira sustentável e não destrutiva, deixando-a em um legado adequado para as futuras gerações.
Todos esses assuntos — de uma forma ou de outra — se relacionam e apoiam meu sonho supremo para a humanidade. Meu sonho é que a rica diversidade de povos do nosso planeta adote uma Constituição Universal, na qual cada cidadão se torne um herdeiro igualitário de sua bela e abundante terra. Acredito que isso gerará uma consciência da qual emergirá uma nova Sociedade Global — uma irmandade unida da humanidade — na qual cada homem e mulher trabalhe de acordo com suas capacidades e se beneficie igualmente do que a natureza oferece.
A humanidade possui agora um enorme conhecimento sobre muitas das leis naturais que governam o funcionamento da realidade conhecida. Apesar disso, ainda sabemos muito pouco sobre o nosso vasto Universo e como ele se originou. Alguns acreditam que foi criado divinamente. Outros pensam que evoluiu sob a influência da lei natural. Ambas as ideias escapam a provas tangíveis. Então ninguém sabe ao certo.
Não vejo antagonismo entre criação e evolução. A evolução é simplesmente um aspecto teórico da criação de Deus. A busca pelo conhecimento é interminável. Somos constantemente bombardeados por novas teorias científicas. Estas, cada vez mais, parecem ficção científica em vez de fatos científicos. Muitas são tão bizarras que os cientistas têm dificuldade em encontrar a linguagem para descrevê-las.
Mas qual é o lugar da humanidade em nosso universo? Os evolucionistas sugerem que nosso domínio sobre este planeta é meramente o resultado de nossa busca pela sobrevivência. Motivados por nossa fragilidade diante das forças da natureza, buscamos conhecer, compreender e prever o comportamento dos fenômenos físicos relevantes para garantir nossas necessidades. Contudo, como muitos pensadores observaram, por trás de sua busca pelo conhecimento, o homem tem intenções que não consegue confessar facilmente. Sua busca não se limita à sobrevivência, mas avança rumo à completa subjugação — não apenas da natureza, mas também do homem pelo homem.
O homem tem consciência não só da natureza, mas também de si mesmo. Contudo, ele precisa avançar para o próximo nível de desenvolvimento espiritual. Precisa compreender que os benefícios do seu conhecimento pertencem a toda a humanidade, sem distinção, e a todos os outros seres deste planeta. Precisa ver que é um fenômeno da natureza — parte inseparável do processo universal da vida. Precisa aprender a participar de forma benigna e sustentável, tanto como sujeito quanto como objeto nesse processo.
Não estou totalmente convencido quando os cientistas dizem que tudo o que existe é consequência do acaso, porque o nada não pode criar algo. A existência só pode resultar de um ato de criação. Conhecer a natureza do criador é absolutamente impossível para nós, por razões óbvias. No entanto, mais importante do que especular sobre Deus é saber que Ele existe. Prefiro entender como os povos orientais, que, em sua sabedoria, se referem a Deus como Aquilo – o inominável, o incognoscível.
Muito do que as religiões antigas diziam no passado foi confirmado pela ciência moderna. Por exemplo, de acordo com o bramanismo, existe o dia e a noite cósmicos de Brahma. Eu vejo o dia cósmico de Brahma como correspondente à expansão do universo, ou seja, à vigília cósmica, e a noite cósmica de Brahma como correspondente à contração do universo. A expansão e a contração do universo foram admitidas pela ciência.